Qual o futuro do mercado jurídico?

Qual o futuro do mercado jurídico?

Entrevistamos especialistas e influenciadores do setor para entender quais os próximos desafios que os profissionais de direito vão enfrentar.

Tudo vai mudar, mas a essência será a mesma. Seria assim que eu resumiria meu bate-papo com personalidades e influenciadores do mercado jurídico brasileiro, através de uma pesquisa qualitativa patrocinada pela Justto.

Em conversa com alguns dos principais profissionais de direito do Brasil, foi possível entender quais os desafios mais comuns da área, especialmente aqueles ligados ao impacto da tecnologia nos seus cotidianos. Ao mesmo tempo, ficou claro que a essência do trabalho jurídico se manterá a mesma, exigindo personalização e cuidado com cada um dos casos.

Confira abaixo os 6 principais temas que ocupam as mentes de expoentes do mercado jurídico brasileiro.

A tecnologia é inexorável

Gostemos ou não, a presença da tecnologia no nosso cotidiano já se tornou inevitável. Desde o smartphone nas suas mãos até a compra do pãozinho na padaria, tudo está permeado por tecnologia e processos digitais. Ao invés resistir e nadar contra a maré, os especialistas entrevistados concordam que o ideal é se ajustar à nova realidade, colocando a tecnologia à serviço das necessidades do setor jurídico.

Isso significa utilizar a tecnologia e os sistemas computacionais para a realização de tarefas repetitivas, como busca de palavras-chave, produção de relatórios de forma automatizada, criação de peças processuais, predição de resultados jurídicos, entre outros. O segredo é pensar na melhor forma de aplicar as inovações disponíveis no cotidiano de escritórios de advocacia e consultoria jurídica.

Um desses jeitos, citados por muitos dos entrevistados, é o uso de jurimetria associada à tecnologia – ao permitir que sistemas computadorizados automaticamente colecionem dados de juízes, comarcas, além de resultados de processos e ações, é possível criar modelos estatísticos aplicados ao direito, que podem prever com grande chance de acerto os possíveis resultados futuros de julgamento de um determinado caso.

Medir é primordial

Mais do que saber fazer, hoje em dia é importante saber medir quanto tempo se leva e quanto dinheiro se gasta pra fazer o que se faz. O termo ROI (do inglês return over investment, ou retorno do investimento, em tradução livre) está cada vez mais presente no cotidiano dos profissionais da área jurídica.

Por isso, antes de levar projetos adiante, tem se tornado imperativo não apenas saber o que fazer, mas também ter ciência de quanto custa fazê-lo, e quem sabe até buscar alternativas que possam ser mais acessíveis e viáveis de serem utilizadas. Nesse sentido, estabelecer processos, procedimentos ou sistemas automatizados que ajudem a calcular quais são os procedimentos mais rentáveis no longo prazo torna-se ferramenta primordial para os processos de decisão. Saber o ROI de cada processo, por exemplo, ajuda a ser capaz de escolher entre duas soluções de conflitos diferentes, balizando custo e velocidade da resolução.

Por exemplo, aprender a medir o ROI da sua frente de acordos já é um bom começo e essencial para medir sua efetividade!

Preparando-se para as novas realidades

Estar aberto à inovação da tecnologia pode ser dolorido no começo, mas é caminho sem volta. Por isso, vale aqui o meme dos jovens: aceita que dói menos. É crucial estar disposto a se capacitar e se posicionar de maneira positiva em relação às novidades que novas realidades vão trazer.  Se a Inteligência Artificial e técnicas de Machine Learning forem capazes de auxiliar na predição de decisões judiciais, por que não adicionar essas peças ao seu jogo e fazer as próximas jogadas da partida utilizando-as a seu favor?

Você pode aprofundar um pouco mais nesses temas nos posts sobre Legaltechs e como a tecnologia pode ajudar o advogado e a Advocacia do Futuro.

Especialização, foco e cuidado continuam importantes

Um receio muito comum entre os profissionais é que a automação e a chegada de sistemas computadorizados ao mercado jurídico eliminem alguns cargos ou vagas do setor. Apesar de este ser um processo inevitável, a maior presença de automação entre as atividades de escritórios de advocacia significa que o tempo que antes era dedicado a tarefas cotidianas  – como construção de peças processuais, por exemplo – poderá ser utilizado na realização de outras atividades importantes na rotina dos advogados, como análises cuidadosas de casos complexos, maior dedicação a atender e entender os clientes, criação de novos processos ou soluções jurídicas, entre outros.

Ter máquinas fazendo o trabalho pesado significará, no longo prazo, mais tempo para especializar-se em determinado assunto, ter mais foco em questões de grande importância e dedicar-se a ter mais cuidado e atenção com os clientes.

Manter-se informado e conectado é crucial

Para fazer bom uso de inovações e novos processos, é imprescindível manter-se informado e conectado à profissionais e empresas que estejam de olho nas novidades.

A maioria do entrevistados para essa pesquisa definiu estratégias pessoais de como manter-se informado e atualizado. O LinkedIn foi uma das redes sociais mais citadas como forma de conectar-se com seus pares e saber o que circula pelo mercado. Há quem prefira seguir publicações – como JOTA e Migalhas – e ainda os que confiam no recebimento de informações diretamente nas suas caixas postais, através de assinaturas de newsletters diversas, que vão desde aquelas distribuídas por entidades e serviços online até publicações internacionais.

Quem tem um pouco mais de disponibilidade de tempo costuma apostar também na participação em eventos dos seus setores de atuação – como é o caso dos encontros promovidos pelo StartSe ou por universidades nacionais e internacionais.

Parceria é palavra-chave

Nesse contexto, fica evidente que o trabalho é cada vez mais feito de forma coletiva. Não foi à toa que a palavra “parceria” foi tão citada: mais do que uma relação entre clientes e fornecedores, o que os profissionais do mercado jurídico brasileiro estão precisando são de parceiros, de fornecedores e de clientes dispostos a compartilhar seus desafios e trabalhar de forma conjunta em busca de soluções.

Mais do que contratar um serviço, os clientes querem criar um relacionamento de confiança mútua; além de solucionar um problema pontual, os fornecedores esperam conseguir criar um relacionamento de longo prazo com seus clientes, apoiando na investigação de problemas e não apenas cuidando dos processos e ações, mas também auxiliando na eliminação das causas que geram problemas jurídicos.

Com tantos desafios e tantas novidades tecnológicas, até mesmo as empresas de tecnologia que atendem o setor jurídico precisam entender que trata-se de uma busca não apenas pelo melhor desenvolvedor ou consultor técnico, mas pelos profissionais mais dispostos a mudar a cara do setor advocatício juntos.

O pulo entre o jurídico analógico e o jurídico digital e moderno não será feito da noite para o dia, e vai ser preciso ter uma comunidade inteira unida para viabilizar essa revolução.

Será que poderão contar com você?

Obrigada a todos os profissionais que se dispuseram a participar dessa pesquisa, cedendo seu tempo e compartilhando suas opiniões: Alex Cukier, Aline Anhezini, Ariane Rodrigues, Celso Monteiro, Cláudio Furtado, Felipe Hasson, Gustavo Coelho, Renato Riva.

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